Quem sou?

Escute só! Ser criança e morar no interior é uma experiência muito marcante na vida da gente! Sabe esses lugares que no fim da tarde as pessoas colocam cadeiras na calçada e ficam ali proseando? Pois era sempre assim… Bom mesmo era quando chamavam a gente para dar um pedaço de bolo ou doce, e lógico que esse prêmio só vinha depois de um montão de pergunta. Queriam saber se a gente tava indo bem na escola, se não andava aprontado muito… Não era nada fácil conseguir aquele pedaço de bolo quentinho! A casa tinha um papel importante nas brincadeiras, principalmente os quintais: ali inventávamos jogos e universos, nos escondíamos, corríamos atrás (e fugíamos também!) dos bichos e também fazíamos um belo lanche — que delícia é comer uma fruta direto do pé!

Fora de casa, a gente brincava em tudo quanto era canto! A maior aventura era entrar escondido no curtume, ô lugar esquisito! Cheio de couro pendurado e carcaças de boi, um terror! Também tinha o coreto no meio da praça, nosso lugar preferido para brincar de bater figurinha e ficar batendo papo sobre nossos caminhões preferidos…

Lembro de uma vez em que estávamos eu, Júnior e Antônio numa disputa acirrada de bolinhas de gude. Começamos na praça da igreja e a disputa foi avançando para outros espaços, primeiro para ruas próximas e depois fomos indo cada vez mais longe, ninguém queria perder e por isso o jogo nunca tinha fim! Fomos andando e jogando, até que saímos fora da cidade, bem longe de casa. Quando percebemos onde estávamos, demos uma boa risada, decretamos empate e fizemos o longo caminho de volta, já planejando a brincadeira do dia seguinte.

Mauricio Marin, especialista em Arte-Educação pelo SENAC-SP, aprendiz de violeiro, pesquisador da cultura popular e educador no Programa Juventudes do Sesc Santos.